SÓ SOMOS SÓS
Somos escravos de nosso tempo e de nosso lugar
somos escravos de nossas palavras e de nossos silêncios mais sonoros,
livres de pensamento e de sonhar, quando nossa língua emudecida quiser cantar
e caímos baixo as ondas de um estranho mar.
Tu és meu compromisso inevitável, quando longínqua me pedes para não te lembrar.
Somos escravos de nossos sonhos e da mesma liberdade
somos escravos de nosso choro e de nossos risos
livres de morrer e de suar, quando nossos olhos se cegam na obscuridade
e voamos sobre os jardins de um olival.
Tu és meu fracasso concreto, quando de perto te vejo voar.
Somos escravos das manhãs e do café ao leite ao acordar
somos escravos das fadigas e do enxaguatório bucal
livres de dormir e de amar, quando nossa boca se cala e não quer beijar
e nos sentamos bem no lado da mesma mesa para tomar café da manhã.
Tu és meu amor secreto, e ao mesmo tempo meu mal-estar.
Somos escravos de nossas histórias e das mentiras sem contar
somos escravos das manhãs e da roupa suja que temos que lavar,
livres de nos entristecer e de nos alegrar, quando nossas mãos estão muito sujas de trabalhar
e nos olhamos pelas costas juntos sem protestar.
Tu és meu desejo mais doce, ao mesmo tempo que minha solidão.
Somos escravos das noites e das ganhas de espirrar
somos escravos de nossos silêncios e das caricias mais tenras como o pão,
livres para escrever poemas e para dançar, quando as nossas pernas as vão amputar
e nos queremos ir à cama a fornicar.
Tu és minha boneca de algodão, quando vejo tuas pernas sem depilar.
Somos escravos da chuva e por deixar de tomar banho, por que será?
somos escravos de nossos bocejos e das tristezas mais profundas que o mesmo mar,
livres de nos imaginar teu rosto belo, quando não te posso amar
e nos escrevemos por carta, correio eletrônico ou por chat.
Tu és meu abraço mais cansado, quando tua cintura quero tomar.
Somos escravos de nossos preconceitos y das cores do arco íris, verdade?
somos escravos de nossas grandezas e das batatas que devemos descascar,
livres de cozinhar corações, de almas que estamos querendo juntar
e nos reunimos para celebrar, morremos e nos enterrar.
Tu és minha angustia mais augusta, quando teus beijos quiser roubar.
Somos escravos das manhãs e de nossas insônias de noites sem acabar
somos escravos do arroz com leite, o lanche e o queijo sem sal,
livres de amar, de dar consolo ou arrebatar
e nos reunimos para não chorar, torcer-nos a mente ou nos suicidar.
Tu és minha ternura invisível, minha mais completa calamidade.
Somos o que somos, nem mais pedra, arena ou praia lunar
só somos sós, minha índia branca, esse é teu riso, este é meu umbigo e essas as meias de uma criança que hoje não vai almoçar.
CÉSAR AUGUSTO DE LAS CASAS
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