sábado, 2 de noviembre de 2013

O SABIA, O SABIA, O SABIA


Depois de tanto
voar, cheguei
ao mesmo ponto
onde as tuas asas
tersas, femininas,
sem me consultar
me tomaram.

Quê profundo,
embriagante
vertigem
sento,
qual  iluso,
caindo
no vazio
azedo da solidão.

Quê ardente
é a chuva
de teu coração ignoto,
que perfuma de vermelho
meu lábio superior e inferior
essas duas toscas e frias
obsolescências,
fábrica de palavras
mortas,
mortalhas velhas
nas que embrulho
minhas próprias mentiras,
cristais de silêncio
precipitando-se
até meu peito
em queda livre
pela minha garganta.

Não tem coração que suporte
repetidamente
teu silencio, teu silencio, teu silencio;
não tem palavras
que soletradas
não sejam, simplesmente ou tão só,
pérolas da dor feitas desejo
encarnações
de mulher, mutação do sono.

O sabia, o sabia, o sabia;
mas que doce
embriaguez
é a tua boca muda
e a tua língua inquieta.

O sabia, o sabia, o sabia;
mas teus olhos
são aves tenras
que comiam
de meu peito
os poucos frutos
frescos que ainda quedam.

O sabia, o sabia, o sabia;
mas tuas mãos
são encantos, benditos
pétalas que aninham
nos jardins
de meus pensamentos,
fábricas de caricias
ausentes mas tíbias,
doces de contemplar,
mas quê amargas
sorve-as
em beijos ao vazio.

O sabia, o sabia, o sabia;
que a minha pena seria  igual
ou major, profunda
e mais profunda
que teu belo
corpo, anelo da minha alma,
reticência
à razão,
mel de meu desejo.

O sabia, o sabia, o sabia;
mas hoje, embora eu soubesse
só me fica
esta dor...calada, oculta e discreta,
mas quê dor,
tão certa....tão dor...

Brasilia, 28 octubre de 2013
CESAR AUGUSTO DE LAS CASAS

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